quarta-feira, 16 de maio de 2012

Relatórios de sustentabilidade: Empresas realmente sustentáveis ou informações sócio-ambientais maquiadas?


Diante de um cenário de constantes mudanças e pressões sociais sob a vertente ambiental empresarial, para uma organização com fins lucrativos, “mais vale um cliente ou consumidor na mão, do que dois voando”, mesmo que este tenha pouca influência na rentabilidade da entidade. Isso acontece porque o impacto que um produto ou serviço gera no meio ambiente pode comprometer a sustentabilidade do planeta e as gerações futuras, originando a consciência ambiental que surge na sociedade, que por sua vez, tende a consumir de forma mais responsável e incentivando outros consumidores.

Desta forma, surge o conceito do Triple Bottom Line, que forma os pilares da sustentabilidade, envolvendo os elementos sociais (people), econômicos (profit) e ambientais (planet). Essa denominação corresponde aos resultados de uma empresa considerando que estes elementos representam o comprometimento das organizações com o desenvolvimento sustentável. Sob esta perspectiva, as companhias passam a depender de três premissas básicas: 
1. A empresa contribui com o desenvolvimento sustentável na medida em que gera produtos e serviços eficientes, ou seja, desempenham o objetivo proposto utilizando um número reduzido de recursos ou materiais recicláveis; 
2. A responsabilidade social é um detalhe importante, pois não se admitem empresas que gerem milhões de lucros sem que uma parte deste valor possa ser utilizado no desenvolvimento social e educacional de uma determinada região, visto que a exploração de recursos ambientais e sociais é realizada para atender necessidades de uma minoria; 
3. O uso eficiente de materiais gera uma economia de custos para a empresa, podendo melhorar o desempenho financeiro da mesma, ao mesmo tempo em que produtos e serviços sustentáveis tendem a ser consumidos com maior frequência, contribuindo com o aumento da receita de vendas.

Sabe-se que as sociedades com fins lucrativos na maioria das vezes que se demonstram preocupadas com a sustentabilidade, têm um interesse por trás deste comportamento. Isso não é um problema desde que a sociedade e o meio ambiente também possam se beneficiar disto. No entanto, quando se busca prosperar entre os três pilares do Triple Bottom Line, além de atender às premissas citadas anteriormente, é necessário também transformar tais ações em informações disponíveis à sociedade, para que se possa evidenciar a real contribuição com o desenvolvimento sustentável. Todavia, muitas empresas elaboram extensos relatórios de sustentabilidade recheados com informações maquiadas que muitas vezes não correspondem à realidade sócio-ambiental da entidade, levando o leitor a acreditar em uma postura sustentável inexistente. Diante do presente contexto, em que não existe uma forma de mensuração padrão do desempenho sócio-ambiental das empresas, surge o seguinte questionamento: é possível identificar entre as informações divulgadas em belíssimos relatórios de sustentabilidade quais empresas realmente contribuem com o desenvolvimento sustentável?