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domingo, 14 de abril de 2013

Reflexos ambientais na gestão organizacional: necessidade de informações contábeis

Não há dúvidas de que todas as instituições têm de alguma forma uma relação com os aspectos ambientais, sejam como poluidoras ou como defensoras do meio ambiente, e isto demanda uma necessidade de gerar informações sobre esses reflexos. Ao pensar sobre os usuários externos das informações dessas entidades, nos deparamos com relatórios de demonstrações financeiras que são apresentados com base em dados contábeis e não contábeis: eis que surge a contabilidade ambiental.

Os profissionais de contabilidade de forma geral aprendem por meio da aplicação de pronunciamentos contábeis sobre todos os procedimentos e formas de apurar os reflexos contábeis de todos os fatos e atos que atuam sobre a empresa. No entanto, tais legislações não compreendem nada especificamente sobre o meio ambiente, e muitas vezes são informações importantes que são deixadas de lado.

Uma contabilidade ambiental eficiente deve abranger reflexos contábeis gerados por meio da medição de danos ambientais causados pela entidade, a estimação de impacto da adoção de práticas  voltadas para sustentabilidade, passivos gerados pela aplicação de legislações ambientais e recuperação do meio ambiente, investimentos em métodos e procedimentos para redução e gerenciamento de resíduos, [...]. Tais informações podem ser alocadas nos grandes grupos contábeis tal como exemplos expostos na figura a seguir:

(Clique na figura para ampliar)

Além disso, é necessário adaptar o plano de contas usado na contabilidade para que seja possível evidenciar separadamente os reflexos ambientais na contabilidade, principalmente nos centro de custos que envolve práticas de gerenciamento de resíduos e gestão do ciclo de vida dos produtos que necessitariam de rateio dos custos e receitas para observar o resultado ambiental de tais investimentos.

Apesar das legislações contábeis não abordarem a prática ambiental e sustentável, observamos a existência de uma norma técnica do Conselho Federal de Contabilidade que estabelece procedimentos para evidenciação de informações de natureza ambiental e social que tem como objetivo demonstrar à sociedade a participação e a responsabilidade social da entidade (NBC T 15). Por outro lado, o queremos defender nesse post não é somente a divulgação de informações por meio de notas explicativas, mas principalmente o reflexo contábil dessas relações com o meio ambiente nas demonstrações contábeis da entidade. 

Desta forma, temos que adaptar as normas contábeis existentes à aplicação prática e ao reconhecimento contábil das ações que refletem na natureza ambiental das operações empresariais. Nesse sentido, temos que adaptar a contabilidade aos novos desafios da atualidade fazendo com que esta reflita em uma informação relevante e fidedigna e ao mesmo tempo possa transparecer às necessidades dos usuários internos e externos quanto à comparabilidade, verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade.

domingo, 17 de março de 2013

Eficiência produtiva na redução de custos de produtos sustentáveis


Estive no supermercado fazendo compras e precisei comprar sacolas para guardar lixo e pensei em comprar aquelas biodegradáveis para ajudar a preservar o meio ambiente e a sustentabilidade, no entanto, me assustei com o preço do produto... Enquanto 30 sacolas daquelas pretas comuns custariam R$6,00, as biodegradáveis custavam R$20,00!! Neste momento eu pensei como é difícil ajudar o meio ambiente com preços bem mais caros e muitas vezes com qualidade bem inferior...

Depois comecei a pensar nas questões que encarecem os produtos... Claro que tem custos variáveis que são difíceis de gerenciar e torná-los menos onerosos, mas, por outro lado, as empresas podem investir em práticas gerenciais ambientais no sentido de reduzir os demais gastos de produção que podem ser gerenciados.

Empresas podem utilizar do ganho em escala de produção e a análise do ciclo de vida dos produtos para identificar os gargalos no projeto, desenvolvimento, produção e descarte final da mercadoria. A identificação de gargalos possibilita buscar e implementar soluções que os transformem em processos mais eficientes.

A eficiência significa alcançar as metas programadas utilizando o mínimo de recursos possíveis sem perder a qualidade do produto/serviço. Tais recursos se destacam principalmente pela matéria-prima, na qual é o custo mais relevante da produção e a redução dos desperdícios deixa o processo mais eficiente e ambientalmente amigável. Destaca-se ainda que somente a eficiência do processo é que possibilita a redução de custos e consequentemente, fornece produtos mais competitivos e menos abusivos.

domingo, 30 de setembro de 2012

Controladoria ambiental

Estive pensando sobre como inserir a questão ambiental e sustentável em uma empresa... Inicia-se com questões simples tais como separar e reduzir os resíduos. Como? Fazendo com que cada funcionário tenha seu próprio copo para reduzir o consumo de copos plásticos, separar papel do resto dos lixos para reciclá-lo. Claro que é uma postura sustentável e reeduca os funcionários de forma que estes repassem para seus amigos e familiares, formando assim uma cadeia sustentável. Mas como poderíamos ser mais ecoeficientes em uma organização? Como proceder com ações que tenham maiores impactos positivos na sustentabilidade e reduções significativas de prejuízos ambientais?

Bem, a resposta é também simples, porém mais complexa de se implantar. Além de inserir a sustentabilidade ambiental e social na missão, visão e valores da entidade, também deverá adotar estratégias ambientais que combinem com os objetivos da empresa. As estratégias são maneiras de alinhar a atividade empresarial com as demandas e necessidades ambientais alcançando o desempenho esperado e ainda reduzindo custos. Podem ser novas estratégias a aquisição de tecnologias limpas, a adoção de produtos que adotem a logística reversa e análise do ciclo de vida dos produtos visando a eficiência produtiva. Após definir estratégias, é necessário estudá-las antes de pô-las em prática. Isso demanda análise detalhada dos recursos e previsão dos resultados. Depois da aprovação, deverá passar para a fase seguinte de execução das estratégias. Essa etapa não é fácil, pois além de demandar a aplicação de recursos da empresas, também é necessária uma mudança na cultura organizacional, inserindo o preparo e a conscientização ambiental junto aos colaboradores da instituição.


Após executá-las, a estratégias ambientais deverão ser analisadas para verificar como está sendo realizado o seu desempenho e se está de acordo com os objetivos proposto alinhados à missão, vissão e valores. Além de considerar as necessidades internas no que se refere a desempenho ecoeficiente e mensuração dessa performance, também deverá atrelar essas informações às demandas de usuários externos, incluindo além de princípios contábeis, societários e fiscais, os indicadores de sustentabilidade tais como os desenvolvidos GRI (Global Reporting Iniciative) e abordado nos relatórios de sustentabilidade das empresas brasileiras de grande porte. Isso significa gerar informações que dêem um feedback para auxiliar no controle e tomada de decisão dos gestores. Essas etapas formam um processo cíclico, no qual a empresa estará sempre atualizando essas estratégias por meio das informações de desempenho geradas e efetuando ajustes quando for necessário.

domingo, 15 de julho de 2012

Sistemas de Gestão Ambiental - O caso da ISO 14001


O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) se refere ao conjunto de procedimentos internos voltados à prevenção e controle dos impactos ambientais gerados pela atividade, bem como a recuperação do meio ambiente degradado. Considerando que o planeta já não tem a capacidade de repor todos os recursos que são consumidos pela sociedade, esta é uma questão que deve ser considerada por todas as empresas, visto que são grandes consumidoras destes recursos e são pressionadas pela sociedade por uma postura mais responsável.

Desta forma, existem diretrizes para a implantação do SGA, sendo a norma ISO 14001 a mais conhecida internacionalmente. No entanto, para as empresas que desejam adquirir a certificação ISO 14001, existem diversos requisitos as quais necessitam observar, inclusive, passar por auditorias ambientais para constatação in loco. Por outro lado, embora tenham inúmeros requisitos a serem observados para se obter a certificação, existem diversos benefícios que superam essas questões quando se conquista a marca ISO 14001, como por exemplo:
  ü  Melhor capacidade para lidar com riscos ambientais;
  ü  Melhoria dos processos de produção;
  ü  Melhor posicionamento competitivo;
  ü  Melhoria da resposta às pressões do público e grupos ambientalistas;
  ü  Proteção da empresa, de sua gestão e acionistas em caso de ação judicial;
  ü  Melhores oportunidades financeiras.

     Vale destacar que uma das principais dificuldades em implantar um sistema de gestão ambiental em uma empresa é integrar todos os colaborados em prol de novos princípios e valores baseados no desempenho ambiental da empresa, mantendo o compromisso com o novo sistema. No entanto, uma vez alcançada essa integração, isso reflete de forma positiva na imagem da empresa, uma vez que pode ajudar no relacionamento da entidade com seus clientes, funcionários, shareholders e o próprio Governo.
     
    Para obter a norma ISO 14001 é necessário adquiri-la pelo site da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) como sendo representante oficial da ISO no Brasil. Infelizmente, a norma não é disponibilizada gratuitamente, custando R$324,00 para pessoas físicas, o que desencoraja a sua adoção. Destaca-se ainda que, após implantado o SGA, a empresa necessita estar sempre se atualizando quanto às legislações ambientais, bem como seus processos que impactam o meio ambiente, pois para obter o sucesso, é necessário que tenha o caráter de melhoria contínua.

A norma ainda é baseada na metodologia PDCA (plan-do-check-act) que se refere às ações de planejar, executar, verificar e agir, conforme visto na Figura a seguir:


De acordo com a Figura e a própria norma, deve-se inicialmente fazer um 1) planejamento por meio de estabelecimento de objetivos e processos necessários de acordo com a política ambiental da organização, posteriormente são 2) executados os processos e 3) verificados por meio de monitoramento e medição de acordo com os objetivos e metas, para finalmente, 4) agir para continuamente melhorar o desempenho do SGA. A empresa tem liberdade e flexibilidade para implementar o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) para toda a organização ou para unidades operacionais ou atividades específicas. Embora seja essa uma norma aplicável a qualquer tipo de organização, o nível de profundidade e complexidade do SGA, a amplitude da documentação e a quantidade de recursos alocados dependem da natureza da atividade e do porte da organização.