domingo, 27 de maio de 2012

O crescimento econômico brasileiro insustentável


O Brasil está vivenciando uma etapa de crescimento econômico em que os países emergentes estão guiando a economia mundial, já que o continente europeu por exemplo, passa por uma fase de recessão. Assim como o saudoso Kubitschek, nossa presidente Dilma e o seu Governo vêm abraçando esse crescimento econômico e tomando medidas para alavancá-lo, tais como a redução das taxas de juros e do IPI (imposto sobre produtos industrializados). Por outro lado, ao analisar bem esse desenvolvimento econômico em que o consumo está sendo altamente estimulado, surge o seguinte questionamento: será que o atual crescimento econômico brasileiro vai contra o conceito de desenvolvimento sustentável?

Analisemos por exemplo a redução do IPI para carros e eletrodomésticos. As pessoas estão experimentando um consumismo desenfreado ao comprarem produtos que nem sempre são de sua necessidade, só mesmo pela vontade de trocar o usado (que não é velho) por um novo! Além da redução do IPI, temos uma redução das taxas de juros e aumento dos prazos de pagamento, facilitando o boom imobiliário também. Novos carros, fogões, geladeiras, máquinas de lavar... até onde iremos parar? Desta forma, encontramos a economia aquecida, porém todos estão devendo (muito) e a ainda assim a inadimplência das famílias aumentou! 


Por outro lado temos cidades que não têm estrutura para manter um trânsito organizado e cada vez mais carros zeros estão sendo inseridos neste contexto, poluindo o meio ambiente e deixando uma situação insustentável. Para tentar reduzir o caos, estão sendo realizados projetos de infra-estrutura principalmente e unicamente para atender a demanda da Copa do Mundo de 2014, e para isso, exemplificamos a cidade de Porto Alegre, a qual planeja cortar 175 árvores em uma só microrregião da cidade para poder ampliar as suas ruas. 

Por fim, precisamos nos situar e perceber que estamos entrando em um caminho sem volta. Se o desenvolvimento sustentável implica em satisfazer as necessidade da geral atual sem comprometer a capacidade das gerações futuras em satisfazerem suas próprias necessidades, temos que primeiramente refletir sobre o que vem a ser uma necessidade, visto que a sociedade está consumindo sem nem fazer essa reflexão. Em segundo lugar, observamos um ambiente insustentável em um contexto de consumismo acelerado, não havendo a possibilidade de afirmar que isto não compromete as gerações futuras. Portanto, devo reconhecer que as propostas atuais do Governo tendem a iludir o cidadão, pois sabemos que as maiores prioridades no Brasil deveriam ser sempre a saúde, educação, transporte e segurança, pois sem a obtenção desses elementos, vivemos (ou não vivemos) bem pior do que se tivéssemos um carro zero por exemplo.